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Descansa em paz, meu capitão!

por Christiana Fausto

Fui sobressaltada hoje com a trágica (mas não surpreendente) notícia da morte de Luís Carlos Rufo, meu eterno capitão, que vinha lutando há mais de ano contra um câncer. Dia 23 de março, em SP. Estive lá em janeiro, tentei contato, mas já não foi possível. Vaidoso e sedutor como era, talvez não tenha querido que eu o visse tão debilitado. Demasiado humano.

Abaixo, um texto que escrevi a seu pedido, em 2007, apresentando a sua coleção de 120 pratos, como minha mais sofrida homenagem.

Sexta-feira, Setembro 07, 2007
"Os Pratos de Rufo"
Meu impertinente capitão pediu-me que escrevesse uma apresentação para os seus pratos. Esse pedido poderia ser de fácil execução, não fosse Rufo o diversificado e talentosíssimo artista que é. Poeta, escritor, escultor, pintor, nada no mundo das artes passa incólume pelas mãos de Rufo.

Sua coleção de 120 pratos (isso mesmo 120!) é uma estonteante viagem que atravessa a mitologia, a história da arte, da filosofia, da poesia para nos encantar a todos com seus vigorosos contrastes de cor, textura e temporalidades diversas.

Cada um dos pratos encerra uma história única, portador de uma estética peculiar que, em conjunto, dá, a quem tem o privilégio de visualizar a totalidade da obra, uma breve noção do alumbramento desse mais recente trabalho. Vigoroso e de uma fertilidade espantosa, Rufo presenteia-nos com seu particular universo mítico, onírico e surreal, ao trazer para o nosso quotidiano, na forma de um objeto absolutamente trivial e ao mesmo tempo sagrado que é o prato, a estética do imprevisível.

O prato, em Rufo, não mais é receptáculo para o alimento diário, mas uma metáfora de todas as nossas fomes, inclusive, e principalmente, a fome inútil e desnecessária da arte. “A gente não quer só comida” parece brandir Rufo, rufar Rufo, a cada prato exibido. Queremos beleza, queremos filigranas insuspeitas, queremos inutilidades estéticas, queremos pratos que não servem para comer, não servem para nada além de serem apreciados como pratos em si mesmos, transubstanciados pela magia da arte que nos alivia a vida e nos fortalece frente à morte.

Pratos eternos, perpetuados pela laboriosa mão do artista que, mais uma vez, serve a nós, pobres mortais, um gostinho de deus.

http://cacosmeusbotoes.blogspot.com/2010/03/descansa-em-paz-meu-capitao.html

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10/4/2010 00:29:28 - Pratos para a Vida
Christe, Quando fez esse texto, parecia que já estava retratado o destino dos pratos, ou melhor dizendo, do grande e imortal pintor. Pois o sua arte não só encerra, mas como inicia uma nova hitória, agora com sabor de comida gsotosa e com o gostinho de quero mais. Parabéns com este texto belíssimo e ao grande Artista, o nosso Adeus Eterno.
Postado por: Ana Guanaes
22/4/2010 19:42:36 - Agradecimentos
Muito Obrigado pelo carinho. A luz não apaga o brilho não some a alma permanece e a esperança de um abraço futuro nos fortalece. Abraços Cristiana
Postado por: Edson Rufo
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