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A POLÍTICA CULTURAL E OS MUSEUS
A carta dos profissionais de museus ao Secretário de Cultura da Bahia,
me fez lembrar a crítica do carioca Wilson Coutinho: “Depois que
happenings e performances deixaram de ser engraçados, a instalação
ocupou, até na maioria dos casos, a nova forma populista de exibição:
mexe-se nela, anda-se, escuta-se barulhinhos, morde-se alguma coisa,
sente-se o vento, somos obrigados a andar descalços, etc. o que tornou
os museus e centros culturais verdadeiros playgrounds para alegrar o
adulto idiotizado e a criança criativa”. Estamos falando de um museu
específico, o de arte. Se ele é o espelho de uma produção cultural, em
tal contexto, reflete o narcisismo do espetáculo, em detrimento do
ponto de vista da reflexão.
A partir das décadas de 1980 e 90, foram criados centros culturais e
museus, em quase todo o mundo, sem se saber ao certo o que colocar
neles. Surgiu também uma nova profissão na arte: “a sua excelência, o
curador... Os museus tornaram-se espetáculos que pouco importa o que
se mete dentro deles...” (Coutinho). Como se não bastasse tudo isso,
com algumas exceções, Tem-se a impressão de que o coquetel e presença
de celebridades registradas nas colunas sociais são mais importante
que a exposição.
Perdão aos profissionais de museus, por meter a colher onde não
deveria, por entrar numa discussão que não é mais da especialidade e
da responsabilidade do artista plástico, mas a minha intenção política
não tem outro significado, senão contribuir para o debate. O fato é
que, na década de 1970, quando iniciamos o nosso percurso na arte,
descendentes da arte conceitual, tínhamos o museu, como um lugar de
atuação e discussão, os mais politizados, até falavam de suas
propostas artísticas, como intervenções materialistas na instituição
ou no circuito de arte. Também não havia lei de reserva de mercado.
Hoje, o artista vive à margem da república museal, também pudera, ele
perdeu a consciência crítica e o discurso, passou a ser um produtor de
obras voláteis, o verdadeiro bobinho da corte para animar platéias com
pouco raciocínio.
A salvaguarda fica ainda comprometida, quando é o próprio artista que
despreza o acervo do museu, seu material de trabalho e reflexão, ele
esqueceu a lição de Cézanne que passava tardes no Louvre, contemplando
a tradição para dar um passo adiante na modernidade. Sem ter o mínimo
trabalho de olhar, declaram-se artistas talentosos nos sites de
relacionamentos, para o K K K da platéia de amigos. O pior é que esse culto à ignorância é uma praga que está contaminando parte da chamada arte contemporânea, agentes do circuito, e até defensores de uma política cultural. Nessa confusão, o melhor gestor é aquele que faz
mais festas, mais vernissages, que trás para a província novidades que
já ocorreram em outros tempos, para atender outros interesses.
Os artistas visuais não chegaram a viabilizar um processo de discussão
acerca de uma política para as artes, alguns arriscaram acusações, mas
sem apresentar as provas. Difícil condenar o inimigo. É preciso pensar
a realidade museológica e as artes visuais na Bahia. Se os artistas
não articularam nenhum discurso, nem fizeram propostas, se limitaram a
reivindicações, os museólogos foram mais espertos, aparelhados com a
Política Nacional de Museus, acenderam a fogueira. Resta saber se a
lenha vai realmente pegar fogo. Não adianta só o vento soprar, a lenha
precisa estar seca.
Os museus passaram por reformas significativas nos últimos anos,
ganharam prestígios e são considerados instituições culturais
referência da cidade contemporânea. Surgiu até a indústria de museus,
que atua mais a serviço do entretenimento e do turismo do que da
memória, da história e do exercício da cidadania, mas capaz de
movimentar a economia. Essa difícil conciliação cultura e economia que
ocupa cada vez mais centro das atenções.
Em salvador, os museus são instalações arquitetônicas adaptadas,
muitas que não atendem mais as condições exigidas de guarda e
conservação do acervo, outras em condições estupidamente precárias,
contrárias a tudo que recomenda as necessidades e política de museus.
Temos a política, mas não temos onde aplicá-la. Será que adianta
ensinar a criança a lavar as mãos antes das refeições, se em casa a
água é escassa? Vamos acreditar que sim, um dia ela vai ser crescer,
perceber a riqueza da água e lutar para reverter essa situação.
Na segunda metade da década de 1980, quando ocupamos o Departamento de
Museus da Fundação Cultural do Estado, tendo à frente o artista
plástico Zivé Giudice, defendemos a transferência do Museu da Arte
Moderna do Solar do Unhão para uma edificação que atendesse às
exigências da museologia, em área da cidade de fácil acesso e com um
partido arquitetônico de visibilidade moderna. Fomos vencidos.
Readaptado para as condições de museu, a arquitetura do Solar do Unhão
foi comprometida, a escada projetada pela arquiteta Lina Bardi que
dialogava com o exterior através das esquadrias, ficou estrangulada.
Com poucos recursos, sem vontade política e principalmente sem vontade
intelectual, os museus sobrevivem na capital da festa.
14/2/2011 12:34:18 - Conteúdo e Pontuação Gostei do conteúdo do texto, embora não contenha lá muita novidade. Não gostei foi da escrita do autor, que não sabe nem mesmo pontuar um parágrafo... Postado por:Angela de Olveira
16/2/2011 15:08:51 - Parabéns pelo Texto
Depois de Platão e Aristóteles, não houve nenhuma novidade mais, neste velho mundo de meu Deus. Talvez, Cristo. A bomba atômica? Quanto à gramática da escrita, não tenho o privilégio do conhecimento como você, Ângela, para opinar. Do conteúdo do texto gostei e acho atual. Parabéns Almandrade.
Rejane P. Machado
Postado por:Rejane P. Machado
16/2/2011 15:23:55 - Texto ruim, pontuação ruim Eu falei que não havia novidade alguma levando já em consideração a existência de Platão, Aristóteles etc... Ou seja, num mundo sem novidades, Almandrade consegue ser uma nulidade, em matéria de opinião. É o paroxismo do famoso "chovendo no molhado". O texto é atual porque a situação é atual. Se a situação "morre", o texto vai com ela... Um texto com qualidade não tem data... Quanto à pontuação, no caso desse texto a situação é grave, sim. Compromete a leitura, inclusive, pois há uma quantidade excessiva de vírgulas... Entre outros erros... Postado por:Angela de Oliveira
18/11/2011 12:03:25 - Meus singelos cumprimentos Seu texto está de parabéns! Sua forma de pensar e demonstrar suas propostas estão de acordo com a realidade.
Seu texto me chamou atenção, pois sonho com um futuro que seja de grande valia não ser tardio, entrar em uma universidade para estudar o máximo possível sobre museus, arte, cultura, tecnologia, arquitetura, etc. Me sinto tentada a reverter essa nossa situação museológica. Postado por:KATIA MAISE
21/11/2011 14:24:42 - HENRIQUE WAGNER Bom, claramente essa Angela de Oliveira aí de cima é nada mais nada menos do que o colunista do cotovelo dolorido, Henrique Wagner, um cidadão que sabe pontuar bem os seus textos e fabricar autos-elogios nos "comentarios" da sua coluna como ninguém. Postado por:Eva Gina
20/1/2012 17:18:18 - Artes Plásticas Baiana Na década de 80, estava como aluna das oficinas de arte em série ( Museu de Arte Moderna da Bahia ) convive ali muito tempo,visitei muitas exposições de fora e doa artistas baianos.Porém confesso havia algo de estranho naquela administração que não cheirava a revolução cultural, muita arrogância e elitismo.Até hoje os museus com seus quadros de funcionários públicos, muitos até artistas, contando as horas para ir embora e nada de revolução cultural. Até hoje se buscar saber qual a função dos museus para as comunidades? Queremos um museu vivo!E não salas esquecidas a esperar de um publico elitista.
Postado por:Gel Santos