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O método Paulo Freire de Luis Inácio

A simpatia que a esquerda tem pela pobreza, a miséria e a burrice jamais me pareceu honesta, nem quando eu sequer sabia que os homens se dividiam em partidos políticos. Hoje sei exatamente o que significa essa simpatia: a própria burrice da esquerda e coerção política. Naturalmente não são todos os intelectuais de esquerda que sofrem de escassez de sinapses. Basta lembrar nomes como Helio Pellegrino, Antonio Candido e Roberto Schwarz, dentre outros poucos. Mas não dá para engolir a boa intenção de Paulo Freire. Se era uma mente brilhante, certamente não brilhou enquanto vivo.

Quando se trata de educação a coisa se torna séria. Mesmo o analfabeto – talvez ele mais que qualquer outro – sabe da importância de uma formação educacional. E por conta disso é que Paulo Freire, com seu famigerado método tabajara, acaba se tornando caso de CPI – cultura paupérrima irrestrita.

Por conta dos estudos culturais, criou-se uma enorme licença poética, em verdade uma espécie de cota para a burrice nas universidades, uma tolerância e até mesmo admiração pela miséria – sempre alheia. Desse modo é que Quarto de despejo, um dos piores livros já publicados nesse país, é levado a sério até por doutores, e estudado na França – porque os franceses adoram cultura popular de países miseráveis; deve ser mais ou menos como admirar os gestos de um macaco dentro da jaula, a “perspicácia” simiesca no descascar uma banana etc. –, enquanto sua autora, Carolina de Jesus, morria pobre, ainda, mas com o título de escritora. A decadência cultural de um mundo falido em todos os seus valores de fidelidade – para usar um termo caro ao filósofo francês André Comte-Sponville, que o utiliza no sentido de liame ou religare à tradição e não a Deus –, em que a disenteria de Bauman se tornou emblemática por ser ela também descartável; a pressa com que as coisas são processadas para logo virarem lixo processado também; enfim, a reificação antecipada por Adorno – filósofo não digerido pelos leitores de Bauman –, aliada a um humanismo corrompido e insidioso, vem reafirmando, cada vez mais fortemente, um relativismo que facilita, deliberadamente, a vida dos menos favorecidos intelectualmente, para que eles possam engrossar o caldo daqueles que detêm o grande direito, cidadão, de votar, dentre outros direitos de participação.

“Participação” é palavra cara à Pedagogia. Coletividade e coisas do tipo. A impressão que eu tenho é a de que o pedagogo, criatura não muito sagaz, gosta do “coletivo” porque precisa de uns cacos para dar seu texto. O método Paulo Freire é muito rico em palavras do tipo “co-participação”. Tudo é um conjunto de coadjuvantes, porque ninguém quer a responsabilidade do protagonista, embora os animadores – nome dado pelo método aos educadores – finjam tratar-se de uma visão diferente da educação, agora uma troca, em que o educador é educando e vice-versa.

O que mais chama a atenção do leitor minimamente informado é que o método Paulo Freire é o mesmo método, dentre os mesmos, com os nomes-chaves diferentes e um alicerce nada científico: o diálogo e o amor. Tudo se torna mais “comunidade”, menos “instituição”, mas o resultado é absolutamente o mesmo – a princípio, porque depois piora. Melhor mesmo é para os educadores, que têm uma chance maior de embromar, afinal de contas, tudo pode ser interpretado por uma troca, e se há uma falha por parte do “animador”, sem problemas, ele também é um educando, “um aluno da vida”, e por aí vai a humildade de Cândido e Pollyanna.

O Método Paulo Freire de Alfabetização de Adultos tem origem na década de 1960, com toda aquela onda de Centro de Cultura Popular e interiorização do Brasil, que usou esse discurso para construir Brasília e abrir as portas do país para os grandes negociantes judeus do mundo inteiro. No que consiste, exatamente, esse método? É quase difícil dar a resposta porque parece não haver uma: consiste em educar a criatura dentro de sua realidade. Dessa idéia genial surge toda uma teoria que apenas substitui termos e expressões dos mais velhos métodos de educação do mundo inteiro. A expressão “sala de aula” é substituída por “círculo de cultura”; “educador” vira “animador”; “plano de aula” vira “ficha de cultura”. E as palavras viram “palavras geradoras”, por meio das quais se chega aos “temas geradores”. Esses temas geram reuniões, encontros, e não exatamente aulas, e tudo é discutido da forma mais democrática do mundo. Essa democracia toda deve desembocar numa terrível falta de disciplina, sobretudo se pensarmos no público alvo: pessoas sem experiência alguma com o tal diálogo tão propalado pelo método.

Os animadores começam o trabalho recolhendo as tais “palavras geradoras”, palavras da comunidade. Por exemplo: ouvem alguém falar, no interior de Mossoró, a palavra “enxada”, e então recolhem essa palavra. A palavra “seca”, uma vez falada, é logo recolhida. E assim por diante. Constroem temas da realidade de Mossoró a partir dessas palavras e, com as “fichas de cultura”, vão dando continuidade à grande descoberta de Paulo Freire, qual seja, ensinar a ler e a escrever no máximo doze palavras, todas do universo dos alunos de tal e qual comunidade.

Devo lembrar que Simone Weil (1909-1943), filósofa francesa, para alguns uma mística cristã, fez praticamente o mesmo em fábricas da Europa sem, em momento algum, dizer que havia criado um método. Ela ensinava filosofia aos operários a partir da realidade deles, capacitando-os a questionar, de forma consciente, seus deveres e direitos. Ensinava ainda latim e grego.

Acredito numa educação com autoridade – sem autoritarismo, é claro. Acredito em funções claras, bem definidas, e em mestres, não em “animadores” de festa de adulto. Acredito em inspetor, diretor e professor. Acredito em disciplina e livros, em normas, regras, hierarquia. Era assim quando a minha geração, tão pobre culturalmente, ainda não havia nascido. Era assim quando estudaram no Colégio da Bahia, em Salvador, João Carlos Teixeira Gomes, Fernando da Rocha Peres, Carlos Anísio Melhor, Calasans Neto, Ruy Simões, Glauber Rocha, Florisvaldo Mattos, Vivaldo da Costa Lima. Cordel para eles, só no recreio: comprava-se uma cocada e recebia-se uma peleja de brinde.

Depois de duas gestões à base de Lula, em um país sem regência, sou levado a pensar que todos – ou quase todos – os brasileiros votantes foram educados pelo infalível método Paulo Freire. Porque deve existir uma episteme definitiva transformando todo educador em animador, e todo educando em educador, assim como heteronomia em autonomia. E está claro que nosso quase-ex-presidente foi um aluno exemplar em Mossoró.

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25/07/2011 14:19:35 - Piada
Pedagogia é uma piada. Método Paulo Freire é uma antologia de piadas. Era um homem bom, sério, mas falava mais de si mesmo do que de qualquer outra coisa...
Postado por: Claudia Cavalcantti
25/07/2011 21:19:30 - metodos e métodos
O método Corno Freire é bem melhor do que o método Paulo Freire, pois no primeiro o cara já sabe que está sendo enganado pela instituição ecolar; no segundo não, um burro pode ficar na dúvida.
Postado por: Meire Fronzen
26/07/2011 05:19:12 - Preconceito e injustiça
Sou pedagoga e discordo do autor em tudo. O método Paulo Freire funciona sim, e muito bem. E acho preconceito do colunista dizer que pedagogo não é sagaz.
Postado por: Crisvânia Melo
26/07/2011 13:59:08 - Falta ampliar a visão
"Cordel para eles, só no recreio: comprava-se uma cocada e recebia-se uma peleja de brinde.". Mas que bobagem! Isso não é preconceito do autor, mas desconhecimento do que seja cultura. Que tal ler Iúri Lótman, Paul Zumthor, Carlo Ginsburg...?
Postado por: Nívea Maria
26/07/2011 15:16:49 - Falta ampliar a nívea do assunto
"Isso não é preconceito, mas desconhecimento..." Bom, o que vem a ser preconceito senão desconhecimento de algo??? Um conceito antecipado... Falta ampliar a visão da moça aí em cima!...
Postado por: Maurício Simões
26/07/2011 16:22:17 - Ironia
Creio que a Nívia usou uma ironia, Maurício, para ser elegante. Não afirmar que o autor é mesmo preoconceituoso, pois vê a cultura apenas como "letra" e não como um "grande texto", um diálogo entre vozes. Mas nem todo mundo pode saber tudo, não é? O conhecimento é muito vasto. E ela quis apenas sugerir leituras. Concordo com ela, você embora escreva muito bem, precisa ampliar a visão.
Postado por: Pedro Morais da Silva
26/07/2011 16:27:07 - Ampliar ou diminuir?
Já pensaram na possibilidade do autor, simplesmente, não gostar de nada disso? De ter a visão ampliada, sim, e simplesmente não gostar do que vê? Ainda assim, Pedro, meu velho, sua defesa não consegue salvar o nível da Nívea... Eu, por exemplo, deteeeeeeesto cordel e cultura popular. Direito meu.
Postado por: Maurício Simões
26/07/2011 17:05:31 - Pedro Morais da Silva
É claro que o autor tem o direito de não gostar de cultura popular. Mas o leitor também tem o direito de expressar o seu gosto, o que achou do texto do autor. Afinal, gosto se discute sim, e se educa.
Postado por: Discutir e educar
27/07/2011 05:41:23 - Sociologia, Arte e Nívea
Pedro, concordo contigo. Acontece que o objeto de sua defesa parece não concordar contigo (nem tem sua educação e elegância). Afinal, ela não se limita a falar o que acha. Ela simplesmente não "aprova" o direito do autor de não gostar de cultura popular. E o pior, comete erro semantico, erro de sentido, em seu discurso. É o que dá, a tal cultura popular. E ainda afirma que o autor não conhece cultura por não gostar de cordel!!! É demais!!!Eu experimentei e não gostei do que experimentei, em se tratando de cultura popular. No meu caso não há visão a ser ampliada senão por outros caminhos. Pela cultura popular, ao menos eu - e acredito que o autor do artigo -, só teria a diminuir minha visão. Há importância sociológica em todas essas atividades pobres, intelectualmente. Mas importância artística...
Postado por: Mauricio
27/07/2011 08:10:40 - O MÉTODO PAULO FREIRE...
Para mim, em meus quase 15 anos de experiência, como professor, métodos como os de Paulo Freire atrapalham mais do que ajudam, há coisas muito melhores e bem mais proveitosas a se seguir não fosse este gosto insano que temos, graças a nossa herança terceiromundista, pelo simplismo, pelo discurso vitimista e pela idealização tola do heroísmo de esquerda. Daí o autor de “Pedagogia do Oprimido” ser superestimado por tão pouco. Mais valeria, para nossa educação, a leitura bimestral de um almanaque do método Montessori do que a obediência cega à obra de Paulo Freire, como fazem miríades auto-enganadores a enganar outros milhares. E melhor ainda seria construir em nossos alunos, como tenho tentado nestes longos anos de profissão, o gosto pela leitura de um Monteiro Lobato, por exemplo, que é possuidor de uma pedagogia que nenhum Paulo Freire, ou qualquer um que siga suas teses ordinárias, teria em séculos... agora quem quiser que me acuse de demagogia.
Postado por: Silvério Duque
27/07/2011 08:11:34 - O MÉTODO PAULO FREIRE... II
E tem mais: ao invés de se fundamentarem como centros de saber em constante aprimoramento, a maioria de nossas escolas e, principalmente, as nossas Universidades são responsáveis por propagarem uma política educacional tacanha, detestável e limitadora, onde a iniciativa individual e a inventividade são consideradas ações extremamente perigosas e cujo objetivo não é outro senão destruir os princípios pelos quais tais instituições se criaram e se firmaram. E, como monstros geram monstros geram outros monstros, é justamente a ninhada deste criadouro de ideólogos da ignorância que dirige aquela que deveria ser a maior e a mais idônea das instituições deste país: o MEC. O nosso Ministério da Educação, ao longo dos últimos anos, não tem mostrado outra razão de ser e de agir para além da disseminação de ideais políticos em que toda educação e toda moral, como também toda arte, toda literatura se tornam sujas e apequenadas...
Postado por: Silvério Duque
27/07/2011 08:16:42 - O MÉTODO PAULO FREIRE... III
Todos os nossos centros de saber têm se imbuído da mais fina flor carnívora do gnoticismo secular, como Marx, Engels, Bakunin, Comte, Gramsci, Sartre e Foucault e dispensando e ignorando completamente a existência de um pensamento que consiga ir além de uma ordenação do ser e das coisas que não estejam só, e somente só, neles mesmos, como Sto. Agostinho, Tomás de Aquino, Leibnitz, Kierkegaard, Unamuno, Ortega y Gasset, Voegelin, Noica, Mário Ferreira dos Santos e, claro, Sócrates, Platão e Aristóteles, nosso “pensamento acadêmico” se empenha cada vez mais em propagandear tolices ideológicas discriminatórias, não restando nada para além do homem a não ser aceitar a sua condição de mais um entre tantos seres irracionais e “socialmente selvagens”. Assim sendo, ao invés de “valer mais do que as aves” passe a se igualar ou a se tornar menor do que os vermes que lhe roerão a face e o crânio já há muito corroído pelo sócio-cientificista de Paulo Freire ou doutras tolice semelhantes.
Postado por: Silvério Duque
27/07/2011 08:28:31 - CORDEL DESENCANTADO II...
Só para ter um exemplo claro, não pensemos que Chopin fez com as polonaises uma mera transição manifestações populares de sua querida Polônia, elas são criações de seu autor que, embora conserve e se apodere do caráter rítmico da dança popular, é na “linguagem da música erudita” que ele as molda; não é bom confundir as coisas, pois Chopin utiliza um folclore, em especial as polonaises, à sua maneira e dentro de uma linguagem típica da música erudita, com uma inspiração nascida de suas lembranças, criando, assim, um folclore pessoal e autêntico, de uma nova espécie, não uma imitação ou mera transcrição. O mesmo faz João Cabral de Mello Neto em “Morte e vida Severina”: apodera-se da “linguagem do cordel” para lhe dar um caráter dramático e erudito que nenhum cantador de feira poderia dar. Cordel é legal, singelo e até cultural... mas, não é Drummond.
Postado por: Silvério Duque
27/07/2011 08:36:26 - CORDEL DESENCANTADO...
Quanto a questão do cordel: um dos grandes problemas de nossa atual sociedade: ter desaprendido o sentido, tanto teórico quanto prático, da palavra “critério”, ou mesmo “juízo” e “discernimento”. Por vários motivos, que seria impossível enumerá-los em tão pouco espaço, termos como “bom gosto”, “intelectual”, ou “mesmo erudito”, têm sofrido uma inversão enorme ou um total descrédito, principalmente por parte de quem deveria prezar por eles, porque, em nossas universidades, qualquer cordelzinho vale mais do que os Sonetos, de Camões, ou qualquer tese sobre letras de hip hop será aceita no lugar de qualquer estudo sobre Petrarca ou Dante. Triste ilusão atroz que ao senso humano irrita...
Postado por: Silvério Duque
27/07/2011 12:44:37 - Rosa Abreu
Não conheço o Silvério Duque, mas essa frase parece de alguém que deseja ser um grande intelectual, me desculpe: "Todos os nossos centros de saber têm se imbuído da mais fina flor carnívora do gnoticismo secular..." Daquelas pessoas que escrevem soneto seguindo o modelo parnasiano, o modelo sicrano..." Como grande intelectual que pretende ser escreveu ainda essa bobagem: "Cordel é legal, singelo e até cultural... mas, não é Drummond." É claro que não é. Mas por que será que Drummond assim como Suassuma e tantos outros beberam nessa cultura? Era isso que eu queria ver o professor explicar, e não o óbvio.
Postado por: Quero ser intelectual
28/07/2011 04:10:45 - A UMA ROSACOM AMOR...
Rosa,acho que você esta lendo A e entendendo B. Também não conheço o Silvério(pessoalmente), mas isto não vem ao caso. O que sei é que a resposta para a frase que você juga "de efeito" e a questão a respeito de muitos mestres de nossa literatura terem se embebido desta cultura está no próprio texto do poeta feirense quando este diz que os autores se apoderam do caráter popular de certas composições, mas é na “linguagem erudita” que eles as moldam e as fazem grandes,dando-lhes uma nova e melhor forma e não se limitando aumamera imitação... É tão óbvio.
Postado por: Thales Augusto Almeida
28/07/2011 06:04:28 - Thales de onde?
Thales, o mistério continua: vc falou, falou mas não disse picas! Repetiu o que o professor Silvério havia falado, sem satisfazer a população desse município virtual. Faz favor de honrar o nome de tão grande filósofo, por gentileza...
Postado por: Pica-flor
28/07/2011 13:30:42 - Não entendeu?
Vixe como tem gente burra neste mundo. Deve ser o método Paulo Freire kkkkkkk!!!
Postado por: Carla
28/07/2011 13:34:39 - Carla Perez
Carla - olha o nome que a criatura escolheu! - o método Paulo Freire de Alfabetização de Adultos é responsável pela "formação" de Gustavo Felicíssimo e Silvério Duque. Eu estou apenas vendo outros alunos do método se manifestarem. E cada um contribui de forma mais "arguta" que outro. O Thales aí, certamente não faltou uma aula... Veja se ele diz alguma coisa diferente do que diz Silverio Careca...
Postado por: Pica-flor
28/07/2011 16:44:11 - O motivo ainda não foi explicitado
kakakakakakaka. Obrigada, Thales, pela rosa. Já que você é um filósofo/professor, eu vou aproveitar para pedir uma aulinha, sem método Paulo Freire, ok? Mas por que "os autores se apoderam do caráter popular de certas composições?" O que tem a cultura popular que inspira esses autores? O que diferencia esses versos de Otacílio Batista, por exemplo, de um poema de Drummond? "Não há planta que floresça/quando a seca não recua,/não há poeta que cresça/ jogando pedras na lua, nem há roupa que/mereça o corpo da mulher nua".
Postado por: Rosa
28/07/2011 17:54:48 - Pedido de Desculpa
Sim, espero que o poeta Silvério Duque retorne a essa página e leia esse meu pedido de desculpas: Poeta, escrevi sem pensar que poderia ferir alguém que me pareceu também muito sensível e só quis contribuir com o conteúdo desse debate. Foi mal, viu? Espero um dia conhec~e-lo e me retratar melhor. Abraço.
Postado por: Rosa
29/07/2011 07:17:45 - Sem motivo...
Não Rosa, eu é que lhe faço uma pergunta: porque será que Suassuna, cheio de tanta literatura popular como todo mundo já sabe, escolheu para seus grandes poema o soneto ao invés do cordel simples, para seu teatro a influência de Gil Vicente e Bocaccio, para seu romance da Pedra do Reino a imitação do Quixote de Cervantes. Há coisas e coisas, Rosa, cada uma com o seu devido valor e lugar. Se formos dá ouvidos a todo este multiculturalismo colocaremos no mesmo patamar as bachianas de Villa Lobos e a música do Restart... pense nisso.
Postado por: Thales Almeida...
29/07/2011 17:41:06 - Gramática, antes de qualquer coisa...
"Por que será...", separado, quando se trata de pergunta. E "dar ouvidos a todo este...". Thales, parece que vc foi educado pelo Método Paulo Freire... Em Mileto ou em Mossoró?
Postado por: Rosa Vermelho
30/07/2011 12:24:10 - ROSA DE HIROSHIMA...
Óóóóóó´hhhhh!!!! Ge-ni-al! Cometo um pequeno erro e viro analfabeto. Qual será a sua próxima grande descoberta? A cura do câncer? O túmulo de Jimmy Hoffa? A fórmula da Coca-cola? Mas, e as respostas àquelas perguntas que fiz? Gastaram-se com os poucos neurônios usados para me lembrar de nossas regras gramaticais? Não faça isso; não este tipo de apelação. Enquanto isso, em suas palestras, Suassuna continua preferindo Camões a Zé da Luz; Bach ao invés de Michael Jackson; Aleijadinho a Andy Warhol. Ainda queria saber o PORQUÊ de tudo isso. Se se cansou, aceite o conselho do velho Wittgenstein: “Onde não se deve falar deve se calar”.
Postado por: Thales Augusto Almeida
30/07/2011 14:29:33 - Thalita de Mileto
Ih, rapaz, Thalita veio cheia de citação agora, para tentar mostrar que é instruída!!! Citou até meu amigo Witt - mas, me perguntou: por que caralho precisa de Wittgenstein para fazer citação que pode ser encontrada até em letra de música??? Primeiro gramática normativa, Thales de Mossoró, depois Filosofia. Vamos com calma. Não se precipite e não fique nervoso, por amor aos leitores do expoart.
Postado por: Rosa Vermelho
30/07/2011 20:12:52 - Rudo veio em um só mocó
Professor Thales, vou fazer como fez, responder a suas perguntas com novas perguntas. Você sabia que O Auto da Compadecida, obra mais popular de Suassuna, foi inspirado em um romance de Leandro Gomes de Barros? (Isso nos foi dito recentemente pelo Suassuna)E em Gil vicente também, concordo. Mas em quem Gil Vicente se inspirou para criar os seus autos? Muitos deles são recriações de pequenos dramas propagados de boca a ouvido pelos intérpretes populares no Portugal medievo. Os escritores eruditos sempre beberam na fonte oral e vice-versa, num diálogo enriquecedor para ambos. Tudo veio em um só mocó, como afirmou o nosso querido Antônio Vieira, o de Santo Amaro. Você sabia também que Romeu e Julieta é uma recriação de dois contos populares ingleses? Tenho uma coletânea renascentista aqui em casa. Se quiser mando essa referência e a de Leandro.
Postado por: Rosa
31/07/2011 07:45:36 - Tractatus
Thalita não tem resposta para nada. O sonho dela é apenas convencer a todos de que se trata de uma intelectual. Em tempos de google, anda fazendo miríades de citações...
Postado por: Rosa Palmeirão
31/07/2011 09:11:55 - Até a próxima
Gosto de Thalita porque ela gosta de uma peleja. Mas terei que me ausentar desta porque estou fazendo um curso presencial que me exige dedicação exclusiva no momento. No entanto, quero deixar como sugestão, pois Thale precisa se preparar para as próximas, a leitura de Paul Zumthor. Você, Thale querida, pode começar lendo Introdução à poesia oral (olha, o autor é modesto ao intitular assim esse tratado genial sobre poética da voz). Depois, leia A letra e a voz, vc irá entender melhor Idade Média e sua literatura. Por fim, mas sei que não será a leitura final, porque vc irá se apaixonar por esse autor, qdo ler um livrinho de escrita exemplar chamado Performance, Percepção e Leitura. O capítulo final é sobre crítica. Tem ainda a Holanda no tempo de Rembrandt... Será que eu peguei a doença de Thale, Rosa Palmeirão? Até a próxima! E obrigada, professor! Carinho.
Postado por: Rosa
01/08/2011 04:56:51 - Até a próxima também
Conheço todas estas referências. Sua citação só demonstra o quanto que a força da prosa popular torna-se ainda maior e mais sofisticada quando encontra uma linguagem realmente sofisticada para lhe dar uma melhor estrutura e lhe conferir um maior cabedal de idéias e características. Você só reforçou o que o professor Silvério disse e eu venho repetindo, mesmo que você não perceba (lástima) e que isso venha a parecer uma assinatura de incompetência intelectual, mas não é. Fosse assim não precisaríamos estudar História da Filosofia. Era isso que eu queria Rosa, uma resposta dentro de um embate sadio, por mais que pareça uma versão em “cordel” do método socrático. Também tenho uma para você: “Os Cavaleiros de Júpiter” de Cesar Leal, você encontrará ensaios que fazem esta ligação entre o popular e o erudito. Espero você para um próximo embate, porém melhore o seu repertório humorístico, afeminar o meu nome não é prova de ironia, só de grosseria e falta de criatividade. Até a próxima.
Postado por: Thales Augusto Almeida
01/08/2011 06:58:10 - P.S.
Antes que eu saia da internet e me esqueça: não pense que sou de pseudônimos e nem acho que suas referências venham do Google. Por isso deixo mais esta leitura para você: "Anatomia da crítica" de Northrop Frye. Você vai se apaixonar também. Também sei que é inteligente e que pode ir muito mais além. Por isso gostei e insisti tanto em nossa "peleja".
Postado por: Thales Augusto Almeida
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